terça-feira, 30 de dezembro de 2014

‘Precipitadamente’

Num ato precipitado (que não reflete, temerário, imprudente)

tomou sua decisão pondo fim na relação.

E assim, pensando agir com razão, previu um futuro incerto

baseado numa suposição.

Não quis ouvir seu coração, não lhe deu atenção.

Não acreditou no amor

Não se despiu de seus medos

Todo tempo se defendendo

brigando com um sentimento maior.

E mesmo tendo provado dela o seu melhor

Mesmo sabendo que, igual a ela, dificilmente encontrará outra ao seu redor

manteve sua posição.

Que no futuro não muito distante

o ‘arrepender-se’ não seja uma constante

pois certamente não há de haver outra chance!

(30-12-14)

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

                                                        
                                                ‘Enxergando a duras penas’
Pés descalços andam pelo asfalto apáticos ao calor que dele emana, imundos e calejados, cuja cor se perdera embaixo da crosta de sujeira que se formou.
Mais adiante, em meio a restos de comida e lixo espalhado, uma senhora desdentada revira um latão na tentativa de encontrar algo que possa aliviar o enorme buraco que é o seu estômago.
Alguns passos a frente e meia dúzia de crianças cheiram cola e riem à toa como se estivessem numa brincadeira muito divertida, enquanto três ou quatro homens maltrapilhos perambulam por entre os carros parados no farol, a espera de ganhar um troquinho pela limpeza do vidro.
Noutro canto, um menino malcheiroso quase pele e osso, ‘perturba’ as pessoas que entram e saem do supermercado implorando por um pacote de bolacha para saciar sua fome.
Eu poderia descrever mais uma ou duas páginas daquilo que tenho visto diariamente no trajeto de ida ao trabalho e volta pra casa.
Cenas como estas tornaram-se naturais, parte do cenário que compõe a megalópole!
A miséria, a fome, o frio, crianças virando adultos nas ruas, famílias inteiras habitando viadutos, idosos doentes, homens embriagados num esforço enorme de escapar da dura realidade, gente insana necessitando de cuidado especializado... Tudo isso já não comove mais a sociedade excludente.
Uma grande amiga disse certa vez: “Como não se constranger diante da pobreza e da miséria humana?!”
Como deixar de sentir compaixão e vergonha diante dessas situações?!
Vergonha de fazer de conta que não é com a gente!
Vergonha de viver em um país imenso e repleto de riquezas naturais
onde a  pobreza, a  falta de moradia, de saneamento básico, a desigualdade social, entre outras coisas, crescem a cada dia!
Vergonha de ter como representantes nos três poderes, pessoas movidas pelo amor ao poder a qualquer custo!
Vergonha de fazer parte de uma nação que se vende e se deixa ludibriar e insiste em manter no governo cidadãos desleais e corruptos!
Vergonha de conviver numa sociedade hipócrita e injusta onde um jogador de futebol e uma dançarina de axé ganham dez vezes mais do que um professor!
"Com tanta riqueza por aí, onde é que está , cadê sua fração?! Até quando esperar?Ninguém respeita a Constituição mas todos acreditam no futuro da nação!
Que país é esse?"
  

sábado, 25 de outubro de 2014

‘Ausência’
Tua ausência incomoda
Me entristece
Me sufoca

A distância só me mostra
Algo que ‘il mio cuore’  corrobora

Necessito-te ao meu lado
Amigo preocupado
Companheiro pé-de-valsa
Homem enamorado

Tua presença alimenta
Me sacia
Me acalenta

Em tua nudez me encaixo
Perceptivelmente caibo
Plenamente me satisfaço

E, se assim o destino insistir,
De risos, olhares e toques,
Manter-nos afastados
Jamais entenderei o motivo de tão equivocada decisão
Difícil minha existência será frente a tamanha desilusão
Mas se de mim compaixão ele tiver e abençoar nossa união
Dar-te-ei o sol, a lua e as estrelas
E farei de ti meu senhor, meu rei, meu amor... 

terça-feira, 9 de setembro de 2014


“Liberdade d´alma”

Canto, pois assim me sinto completa
Canto as dores, os amores, os poetas...
Canto que provém da alma
Que me acalenta, me acalma...
Momento em sintonia com o divino
Com o que há de mais belo
Mais sereno...
Eu diria, eterno...
Canto que ecoa em todo canto do meu ser
Fazendo-me sentir plena
Assim me encontro, me divirto
Encanto-me, confronto-me
Cantando sou feliz
Cantando existo
E nesse efêmero instante apenas eu
                                            Ressonando... ressurgindo... apenas isto

quarta-feira, 30 de julho de 2014

"Dias de fúria"

Tenho em mim algo de monstruoso
Inquietação profunda que por vezes  me acomete
E que me faz quase surtar.
Necessidade imediata  de afrouxar a gravata
Sair por aí  displicentemente, sem com nada me importar.
Escapar por pouco da rotina diária que aprisiona, que escraviza
Pegar carona com a vida e não deixá-la passar.
Ir  de encontro a um amigo
Ver o pôr  do sol...
Devorar um livro
Passear com meu filho
Ou simplesmente curtir o próprio umbigo!
Há em mim um desassossego, quase tormento
Que paralisa, que anestesia
Que cria um paradoxo interno
Impulsionando sentimentos diversos.
Liberdade...Euforia...
Que me faz querer alforria desse capitalismo desenfreado
De desigualdade e injustiça, abarrotado
Da moeda poderosa que impera
E que gera guerra e destruição.
Há em mim uma espécie de fúria
Em querer fazer justiça com as próprias mãos
Em dar um basta em toda essa podridão
Que detona vidas inocentes
Tornando-nos reféns de uma nação.
Há em mim muito mais do que uma simples perturbação.
Há um desejo legítimo, súplica mortal,
De ver e viver uma realidade  mais digna e merecida
E deixar de acreditar que possa ser mera utopia

domingo, 27 de julho de 2014



“Sinfonia da vida”

 No silêncio de seu quarto
Em seu violão dedilhava
Enquanto um filme em sua mente rodava.
Cada nota, uma lembrança
E ainda mantinha a esperança
De que um dia tudo voltaria.
Em seu coração, do amor, o estigma trazia.
Do amor antigo, vivido impetuosamente.
E que  o acaso ou  destino, rompeu inusitadamente.
Ao cair em si, havia composto uma canção.
Linda e triste melodia
Que expressava toda emoção contida
Em tempos de solidão...
Procurou mudar o tom
Transformando a tristeza em alegria
Pois era assim que vivia
A sinfonia da vida.

domingo, 20 de julho de 2014

'20 de Julho - Dia Internacional do Amigo'
  Amigas (os) para sempre” 
      ( dedicado ao Quarteto)

Já ouvi uma música com esse título. Bela canção!
Já vi um filme também. Pura emoção!
No cinema ou na vida real, quem tem pelo menos um, pode considerar-se privilegiado.
Afinal, amigo é aquele que empresta seus ouvidos por horas, sem se importar com o tempo.
Que fala exatamente aquilo que gostaríamos de ouvir, mas também que nos repreende quando é preciso.
É  quem nos defende com unhas e dentes, mesmo que estejamos fazendo a coisa errada.
É  aquele  que acolhe, ampara, se preocupa.
Demonstra seu carinho e sua amizade, num gesto simples, mas significativo.
Que  faz parte de nossa  história, construída com o passar dos anos...
E que continua a escrevê-la  no dia a dia num “Alô, só liguei pra saber como você está” ou numa mensagem carinhosa que diz simplesmente“Tenha um bom dia!”.
Sinceridade, amor, gratidão, respeito, confiança, carinho, dedicação
cumplicidade, fidelidade, são  sentimentos inerentes a amizade.
Amizade esta que se fortalece na alegria e na dor,
na riqueza ou na falta de recursos, na saúde  ou na doença,
E que resiste ao tempo, à distância e ao ciúme alheio.
A amizade é a aliança ideal para vida mais feliz.
Até que a morte os separe... (ou não!)



sábado, 17 de maio de 2014


“Enquanto você dormia...”
O mundo continuou a girar
As pessoas seguiram suas rotinas
O dia virou noite
A noite tornou-se dia.
Enquanto você dormia
A união do quarteto se fortalecia
O laço afetivo se restabelecia
Apesar de toda dor que, naquele instante, as unia.
Enquanto você dormia
Corações aflitos num pulsar padecido
Tristeza no olhar é o que se via
Não obstante a expectativa do despertar não esmorecia.
Enquanto você  dormia
O desespero ,em alguns momentos, foi nossa companhia
A falta de chão, a perda da razão
Sombra e escuridão
Orações e preces ecoaram em bocas desconhecidas.
E quando enfim, você despertou
O mundo continuou a girar
As pessoas seguiram suas rotinas
O dia brilhou e segui-se a noite
A noite sorriu e vislumbrou o dia!
E a vida então, de outra maneira passou a ser compreendida
Enquanto os corações se enchiam de alegria...

segunda-feira, 24 de março de 2014



                                                                      'Poeminha para Mila"

Minha infância  tem lembranças
Que não consigo me lembrar
Pois minha memória é seletiva
Difícil recordar.

Minha mãe foi trabalhar fora
                                                      Depois de cinco anos me cuidar.
                                                     Papai sempre trabalhou
     Mas de vez quando me leva ao Playland para brincar.

Tenho uma prima meio-irmã
Pois irmã mesmo eu não tenho.
Tenho um irmão chamado Gian
Que anda de skate feito um genio!

Sei que, aos domingos, pela manhã
Com mamãe e minha meia-irmã
Vamos ao parque passear
Ou ao teatro do Sesc
Uma boa peça apreciar.

Quanto ao dia-a-dia de uma criança de cidade grande
Acordo cedinho e vou estudar.
Volto pra casa dos meus avós
E lá fico até mami chegar.

segunda-feira, 17 de março de 2014


      "Anseios de tua fêmea" 

Em tua companhia envolvente 

Desejaria todo dia despertar 

Saborear, logo cedo, teu beijo quente 

E em tua nudez  me deliciar

Teu hálito sopraria minha nuca 

Fazendo os pelos do meu corpo eriçar... 

Tua mão percorreria minhas curvas 

Em busca de orifícios adentrar

 E ainda sonolenta mas exaltada

 Roçar-me-ia  inteirinha em todo teu vigor 

E suplicaria senti-lo , assíduo e viril, 

E de todas as maneiras que me tens em teu quadril 

Pois do avesso me viraste como ninguém o fez 

Surpreendendo-me com teu feitio

Eu tornaria a ver teu rosto se contraindo em caretas 

Extasiado...ansioso em provocar-me o orgasmo

 E verias tua fêmea linda se contorcer em espasmos 

Totalmente entregue...Inebriada com teu entusiasmo.

 E assim permaneceríamos por horas a fio

 Sem dar-nos conta de que o tempo se esvaiu... 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014




"Provocación"
 
Provoco así...
Mi falso puritanismo
Mirada inocente, tal vez indecente
 Sensualidad inherente
Sonrisa afectada
El beso dulce y caliente...
 
Ma causa así...
Tus ojos hambrientos, deseosos de devorarme
Sus manos dispuetas a tientas... sentir...entrar...
 
Provoco así...
Mis insinuaciones leves
Frases obscenas, gestos, indirectas
Sexy cruzada de piernas...
 
Me anima así...
La mano firme
El namoro atrevido
Al presionar mi cuerpo contra el pecho
Ajuste perfecto...
 
Provoco así...
Mi modestia medido
Indecencia enmascarado
Safadeza enrustida
 En la poesía revelado...
 
Provoca así...
Con argumentos velados
Intentos sin éxito
Persistencia y paciencia...
 
Causándonos mutuamente
Y en constante cresciente
Nos saboreando entre sí
Y así, poco a poco, revelando gradualmente
Esperamos ansiosos, el encuentro...fuertemente...

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

"Provocação"
Provoco-te assim...
Meu falso puritanismo
Um olhar inocente, quiçá indecente...
Sensualidade inerente
Sorriso malicioso
El beso dulce y caliente...
 
Provoca-me assim...
Teus olhos famintos, ávidos em me devorar
Tuas mãos desejosas em tatear, sentir, adentrar...
 
Provoco-te assim...
Minhas insinuações discretas
Frases obscenas, gestos, indiretas
Sensual cruzada de pernas...
 
Incita-me assim...
A mão abusada
A 'pegada' ousada
Apertando meu corpo contra teu peito
Encaixe perfeito...
 
Provoco-te assim...
Meu pudor comedido
Indecência mascarada
Safadeza enrustida
Em poesia revelada
 
Incita-me assim...
Com argumentos velados
Tentativas frustradas
Persistência e paciência...
 
Provocando-nos mutuamente
E em constante crescente
Saboreando-nos um ao outro
E assim, revelando-nos aos poucos
Aguardamos veementemente o tão esperado encontro...